Me beija escondido,morde os lábios, fogo e erotismo, meu medo e nosso pecado.
Sou senhora casada, e muito bem! Com homem respeitado da sociedade, do qual todos referenciam como alguém aquém dos demais,mas eu sempre quis mais.
Visto-me a noite com camisola de seda fina , deito em nossa cama, sinto-o gelado, seu desejo já não inflama. Desço para a sala...Boca aberta,seios nus e olhos distantes no horizonte, que acaba em casas tão solitárias como a minha.
Pego meu sapato de bico fino, preto e grandes salto. Calço minha armadura e saio, vou até o centro da cidade, paro o carro, desço, posto-me na esquina,junto com tantas outras meninas.
- Quanto você cobra?
A pergunta se dissemina, minha resposta é sempre a mesma, na ponta da língua :" Um pouco de cafeina."
Meu sangue ferve por aventura, uma xícara de café forte e doce, não tão doce quanto minha vagina.
Deito-me naquele lençol de motel sujo e barato, imagino quantos corpos suados entregaram-se ao êxtase ali.Meu fetiche me mata, me alimenta.
As mãos ríspidas de homem que labuta com trabalho pesado arranha minha pele hidratada com "Os Segredos de Vitoria". Seu cheiro forte se espalha em minha pele branca e cuidada, sua barba marca meu bumbum,preenche minhas falhas.
Sou a mulher abnegada em casa, na rua a puta que se entrega, a quem menos paga.



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